EEUU: Defensor dos direitos humanos no mundo?‏ “Parece” que não!

Tiago Damas

Pensei, nestes próximos artigos, centrar-me um pouco nas votações dos países de todo o mundo sobre algumas questões discutidas na ONU (Organização das Nações Unidas) de grande importância para todos os países e pessoas – neste caso, a resolução sobre o “Direito à Alimentação“.

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Como já tinha mencionado noutros artigos anteriores, na minha opinião estas votações (na ONU) provavelmente são o referente mais proximo da realidade que podemos encontrar sobre as intenções dos governantes dos nossos países e sobre o que realmente defendem (ou que pressões sofrem). Estas resoluções e votações são públicas e qualquer pessoa (com um pouco de paciencia) pode ter acesso a elas, mas como já devem ter verificado, os nossos meios de comunicação preferem não informar-nos sobre estes “pormenores”, apesar da sua transcendência. Os nossos governantes e representantes sabem que esta informação não chega ao público (excepto em alguns, poucos, casos), e também por esta razão sabem que podem votar naquilo que realmente defendem (apesar que muitas vezes votam a favor ou contra por pressões externas).
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Faço referencia a Estados Unidos porque é inevitável não fazer-lo (já vão ver porquê), e por ser o país mais incoerente no seu discurso, quando o comparamos com o que realmente defende nos organismos internacionais – nomeadamente na ONU – que poderiam realmente mudar algo a nivel mundial, porque contam com o voto e participação de praticamente todos os países do planeta (entre outras razões).
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Lembremos que no Conselho de Segurança da ONU, existem 5 países com “poder de veto” (EEUU, Russia, China, Reino Unido e França), o que tem provocado que, ao longo da existência da ONU, este organismo só pôde ser eficaz nas situações em que nenhum destes 5 países tinha interesses pessoais, pois caso contrario, qualquer resolução apresentada que fosse contra os interesses de algum desses países seria inutilizada com o veto (a eliminação do poder de veto é uma das medidas que a ONU tem pendentes de adoptar na reforma que quer levar a cabo, mas está difícil de concretizar).
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Desta vez revisaremos as votações sobre uma resolução adoptada an Assembleia Geral da ONU sobre a qual, na mente de qualquer pessoa sana, é quase impossível votar contra. É a resolução sobre “O Direito à Alimentação” (A/RES/63/187).
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Nesta resolução encoraja-se a todos os Estados para que adoptem medidas para combater a desigualdade entre os generos e a discriminação da mulher (…)
(…)
– Pede-se também que se façam esforzos para invertir a tendencia actual de muitos países de diminuir a “Ajuda Oficial para o Desenvolvimento”;
(…)
– Reafirma-se que a Fome é uma ignomínia e vulnera a dignidade humana, e por tanto, requere-se a adopção de medidas urgentes a nivel nacional, regional e internacional para elimina-la.
(…)
– Considera-se intolerável que todos os anos mais de 6 milhões de crianças continuem a morrer por doenças relacionadas com a Fome antes de chegar aos 5 anos de idade, e que haja 923 milhoes de pessoas desnutridas, ao mesmo tempo que de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, e apesar da actual crise alimentaria, hoje em dia produz-se comida suficiente para 12.000 milhões de pessoas (ou seja, o dobro da população mundial);
(…)
– Destaca que todos os Estados devem fazer tudo o necessário de forma a evitar que as suas políticas internacionais nas esferas política y económica, em particular os acordos comerciais internacionais, tenham efeitos negativos sobre o direito á alimentação de outros países;
(…)
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E não continuo por não cansar demasiado, mas se alguém quer ler a resolução completa e o que propõe, é só ir ao seguinte link e escolher o idioma em que quer ler: http://unbisnet.un.org
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A votação sobre esta resolução, em 2001, foi de 169 países a favor, e 2 votaram contra (Estados Unidos e Israel)… 2 abstiveram-se de votar (Australia e Nova Zelandia).
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A votação manteve-se quase igual ao longo dos anos, e na ultima ocasião, no ano 2008, 184 países votaram a favor da resolução e 1 país votou contra (Estados Unidos)
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Uma vez mais… será que é Estados Unidos que está certo e o resto do mundo errado?
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Para quem queira comprovar as votações:
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2008
2006
2005
2004
2003
2002
2001

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