Privatizações só serão “apetecíveis” se forem totais, defende Patrick Monteiro de Barros

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16.03.2010 – 16:46 Por Lusa

O empresário Patrick Monteiro de Barros considerou que as privatizações previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) só serão apetecíveis se o Estado admitir perder para os accionistas o controlo das empresas e se forem privatizações totais.

“A questão é saber se há uma estratégia económica ou se é uma questão de terapêutica financeira”, disse Monteiro de Barros em declarações à agência Lusa, antes do Governo ter entregue o PEC ao Parlamento, e por isso antes de serem do conhecimento público os detalhes do plano de privatizações.

“Se é para vender 10 ou 20 por cento (…) e querer manter o controlo, uma voz dominante, ou ter golden share ou administradores nomeados pelo governo ad hoc>/i>, aí acho que no contexto actual [a privatização] é pouco apetecível”, considerou Patrick Monteiro de Barros.

O empresário alertou que, se o Estado “vai vender porque tem de reduzir a dívida, então temos de estar conscientes que, se é para vender da melhor forma, tem de ser uma privatização total”.

Num contexto de dificuldades na economia mundial, europeia e portuguesa, disse o empresário, as privatizações só podem ser bem sucedidas se “os accionistas privados tiverem a hipótese de reestruturar, de realinhar, de redefinir o plano de negócios”.

O PEC prevê a privatização de 18 empresas, sete das quais o Governo decidiu retirar por completo a participação do Estado, um grupo que engloba o Banco Português de Negócios (BPN), a empresa de papel Inapa, a mineira Sociedade Portuguesa de Empreendimentos, a energética Hidroeléctrica de Cahora Bassa, bem com a Edisoft, a EID e a Empordef, todas do sector da defesa.

Nas restantes 11 empresas, entre elas a Galp, EDP e a REN, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a TAP e a ANA, os CTT e o sector dos seguros da Caixa Geral de Depósitos, o Governo admite apenas a privatização parcial. Com as 18 privatizações, o Estado pretende arrecadar seis mil milhões de euros.

O empresário alertou também que a política de privatizações, tendo em vista a redução da dívida, pode trazer resultados imediatos, mas alertou que são medidas temporárias.

“É certo que seis mil milhões resolve, ou deveria resolver eventualmente, parte do problema a curto prazo, trazendo uma taxa de endividamento nacional a um nível mais baixo, em relação ao produto interno bruto, que nos últimos anos subiu muito”, afirmou.

“Só que depois já não há nada a vender”, concluiu Patrick Monteiro de Barros.

O Governo aprovou no fim de semana passado o PEC, que tem discussão na Assembleia da República no próximo dia 25.

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