Confederações fazem propostas a negociadores do FMI

publicado 16:33 20 abril ’11
Confederações fazem propostas a negociadores do FMI

A flexibilização dominou os encontros da missão da Comissão Europeia, do BCE e do FMI Mário Cruz, Lusa

Os representantes das entidades patronais de comércio, agricultura, turismo e indústria portugueses foram auscultados pelos delegados da Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI). O mercado de trabalho e a eventual alteração da legislação laboral foram temas da conversa. A confederação do comércio pediu instrumentos para financiar empresas, enquanto o turismo admite que também os privados possam cortar salários.

Confederações fazem propostas a negociadores do FMI

0 twitter

Num encontro em que o salário mínimo não foi objeto de conversa, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) constatou que os especialistas internacionais manifestaram maior interesse nos “aspetos financeiros, custos de contexto e alguns aspetos laborais”, sobretudo no que respeita à flexibilização.

A flexibilização do mercado de trabalho dominou, de igual modo, o encontro com os representantes dos agricultores, tendo sido considerada “uma questão menor” a atualização do salário mínimo. O subsídio do desemprego e os cortes salariais não estiveram na agenda.

Comércio quer meios para financiar empresas
A CCP propôs a criação de instrumentos para financiar as empresas, uma vez que, na sua perspetiva, muitos encerramentos “de empresas viáveis” se deveram à falta de meios financeiros. “Centrámo-nos basicamente nas medidas de apoio às empresas e focámos de uma forma muito insistente a necessidade de serem criados meios para financiar as mesmas”, afirmou João Vieira Lopes, no Ministério das Finanças.

Os patrões do comércio defendem para base negocial o acordo entre parceiros e Governo assinado em Março. Na altura, tal como agora, pretendem uma reforma no Estado que “fosse feita de forma mais organizada”. “Primeiro, ver quais são os serviços que o Estado deve prestar; segundo, evitar duplicações de serviços; terceiro, os serviços a prestar pelo Estado devem ter o número adequado de funcionários e os restantes (serviços) extinguem-se”, enumerou o presidente da CCP.

João Vieira Lopes não considera como “solução fazer cortes transversais de salários e de deduções” mas antes pretende “saber quais são as funções do Estado”.

Agricultores defendem capacidade para substituir importações
A Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) sublinhou a especificidade do sector mas que também precisa de legislação particular e de “alguma flexibilização”, perante uma missão mais interessada em “ouvir”.

João Machado pediu que as verbas inscritas no Orçamento do Estado para o sector agrícola (150 milhões de euros) sejam respeitadas e defendeu perante os negociadores internacionais que é essencial apostar no sector para garantir o abastecimento nacional substituindo as importações.

“Temos 3.500 milhões de euros em importações anuais, que podem ser substituídas por produção nacional; é isso que queremos que a ‘troika’ perceba”, disse João Machado, que considerou fundamental a manutenção dos fundos comunitários e do investimento nacional. João Machado defendeu “uma melhor gestão (de fundos) do Governo e do Ministério da Agricultura para os agricultores receberem a tempo e horas as comparticipações a que têm direito”.

Ainda segundo o presidente da CAP, a agricultura “pode dar um grande contributo”, através da produção em Portugal de parte do 30 por cento de importações “se os fundos forem mantidos” e o país continuar a investir.

CIP critica tolerância de ponto do Estado
A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) transmitiu as suas preocupações com “os constrangimentos ao desenvolvimento das atividades económicas” no sector empresarial do Estado, na legislação laboral e no acordo para o crescimento e o emprego, subscrito em concertação social a 22 de março, declarou António Saraiva.

A CIP defendeu a necessidade de “gerar crescimento económico” e reforçou o objetivo de atingir 40 por cento do PIB com exportações. “Temos de mudar hábitos, trabalhar mais, com inovação e com conhecimento”, disse.

“Temos 14 mil organismos públicos, governadores civis que são perfeitamente dispensáveis, institutos socialmente inúteis. A reforma do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) tem de ser feita e foi isso que nós dissemos”, acrescentou o presidente da CIP.

Segundo António Saraiva, os negociadores internacionais estão bem informados sobre a situação do país. “A troika não fez qualquer sugestão ou qualquer medida” e “não referiu quaisquer cortes nesta ou naquela empresa”. “A ‘troika’ não se pronunciou, está muito bem informada e coloca cirurgicamente as perguntas. Conhece muito bem a situação do Estado e da Administração Pública e o que propusemos foi menos Estado e melhor Estado”, resumiu.

Nesta perspectiva, António Saraiva envia um recado ao Estado, dizendo que nestes tempos difíceis não fica bem andar a conceder tolerâncias de ponto, como vai verificar-se amanhã, a partir da 13h.

Turismo quer “adaptação de salários” no setor privado
A Confederação do Turismo Português (CTP) defendeu, junto dos emissários internacionais, uma política empresarial de adaptação dos salários e dos horários laborais, em vez de se optar pelos despedimentos. Carlos Pinto Coelho defendeu que os privados possam, à semelhança do Estado, efetuar cortes nos salários a partir dos 1500 euros. “Porque razão numa situação económica diferente não se podem fazer adaptações”, questionou.

Na reunião que manteve com os responsáveis europeus, a conversa decorreu em torno da discussão de políticas na área do turismo que produzam resultados.

“É um setor que tem capacidade de crescimento, desde que sejam alinhadas políticas para o turismo crescer, empregar mais gente e produzir riqueza”, destacou Carlos Pinto Coelho. “Nos próximos anos, queremos aumentar em 50 por cento o número de pessoas que trabalham nesta área e produzir o dobro”, concluiu.


http://www0.rtp.pt/noticias/?t=Confederacoes-fazem-propostas-a-negociadores-do-FMI.rtp&article=435205&visual=3&layout=10&tm=9

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s

A %d blogueros les gusta esto: